Tudo por interesse.

Certa vez falei a um amigo que tudo o que ele fazia por mim era por interesse. Ele claro, odiou, brigou, xingou, se afastou. Mesmo eu explicando o porque, acredito que até hoje ele não entendeu.

A explicação é uma simples: nos aproximamos de pessoas por interesse.

É claro que não falo de interesse físico. A vida, a convivência, a amizade, vai muito além do que um simples interessezinho.

Nos aproximamos de pessoas pelo bem que elas nos fazem, pelas palavras que elas dizem (ou não dizem) ou pelo simples fato de estarem junto.

O substantivo “interesse” pode ser cobiça, zelo, preocupação, curiosidade.  Embora muitas vezes assuma um lado negativo. E este meu amigo certamente levou pra este lado.

No dia a dia temos de ser interessante. Numa entrevista de emprego, por exemplo, você tem que se mostrar interessante para conquistar o entrevistador e ser aprovado. Você tem amigos por interesse e por ser uma pessoa interessante. Os seus relacionamentos só acontecem quando alguém se interessa primeiro.

Ninguém deve se culpar por se interessar por alguém e tentar de tudo para despertar o interesse de uma pessoa. Nos tornamos interessantes, para interessar pessoas interessantes para nós.

Porém, quando esta pessoa se torna desinteressante, nos afastamos, perdemos o interesse. E assim fazemos a pessoa achar que não é interessante para ninguém.

Por isso sejamos assim, pessoas interessadas, interesseiras, interessantes.

* Esse tem uns dois anos. Te irritou ao ler? Me irritou um pouco também.

Pai, tenho saudades.

De quando eu esperava ansiosa você chegar cansado do serviço às 19h30.

Das idas à madeireira aos sábados para datilografar na máquina de escrever, pintar papéis com marca texto e furá-los para ficar parecidos com queijo. E ouvir os elogios e ver quanto meu pai era querido, pelo menos pelas mulheres.

De ir no Makro, pra comer coxinha de frango e tomar guaraná, no Sam’s club, sentar nas cadeiras bonitas, provar jaquetas e jogar joguinhos no computador.

Conibra, Uemura e passar horas olhando os lustres, banheiros montados, banheiras, pisos de piscina e portas e janelas de madeira, sempre saindo de lá com um pincel ou um rolinho de tinta.

Carrefour, Extra para chutar as bolas, gritar com a irmã, se perder em plena véspera da véspera de Natal.

Dos fins de semana em que e você falava: – Helo, eu vou no mercado, você não vai não. Só para eu querer ir junto.

De poder comprar tudo que eu quisesse, a não ser aqueles suquinhos dentro de embalagens de plástico com diversas formas e cores.

Dos gibis usados comprados na banca em frente a padaria, que vinham com os passatempos já feitos, e dos novos também.

Das vindas da igreja em que eu pedia – Pai, compra esfiha?

Dos mais de 120 Km/h na BR, ninguém dirigia tão bem.

De plantar rosas no jardim, árvores no pomar, cerca viva na calçada, pintar a cerca.

De fazer milhões de perguntas e ver todas serem respondidas com a maior convicção e conhecimento do mundo.

De quando eu lia todos os outdoors na rua, e você com paciência (pelo menos parecia), enquanto eu aprendia a ler.

De buscar leite pra você todo dia na geladeira, mesmo reclamando.

Pai, você é tudo na minha vida, eu poderia fazer uma lista infinita aqui de coisas, mas isso é só pra demonstrar o quanto eu te amo, e sinto saudades.

Beijos, te amo e feliz dia dos pais.

Sua filha, Heloiza
08/08/2010

* Já que todo mundo que leu, chorou (mesmo quem não conhecia meu pai nem eu), resolvi publicar.

A verdade por trás dos parques de diversão

Hoje fiquei chateada com a notícia de uma adolescente que caiu de um brinquedo em um parque de diversões e morreu.

Comecei a lembrar o quanto às idas aos parques de diversão fizeram parte da minha infância e adolescência.

Lembro o quanto era difícil todo ano pedir ao meu pai que deixasse eu e minha irmã irmos à excursão do colégio, não entendo porque o medo, pois ele sempre deixava. Lembro da primeira vez que pedi e fui, aos oito anos.  E foi assim, ano a ano, até terminar a escola.

E todas às vezes era a mesma coisa, a expectativa era grande. Não dormia a noite, levantava cedinho, me arrumava toda, e ia.

É engraçado como o dia rendia, parecia que tinha 48 horas. As enormes filas nunca foram problema, aliás era nas filas que a gente se divertia mais. As musiquinhas, as amizades, as paqueras, tudo contribuía para o ambiente ser mesmo, um parque de diversões.

Conforme eu fui crescendo, um parque nasceu, outro diminuiu e os acidentes começaram a aparecer. Na verdade sempre aconteceu, mas dificilmente era divulgado. Hoje, com a internet, não tem como esconder.

E é aí que eu me recordo do que o meu pai sempre falava: você não tem noção do perigo que existe nesses brinquedos. Quando você crescer, vai perceber. E aí eu percebi.

Confesso que exagerei um pouco no título, para chamar mais atenção ao texto. Mas, se parar para pensar, porque tantas cenas de filmes sinistros em parques de diversão? Por que sempre existem casas mal-assombradas e tantas pessoas fantasiadas de demônios? Por que os acidentes são sempre escondidos e quando descobertos, abafados? Por que as famílias sempre saem perdendo nas causas na justiça? Por que há falta de treinamento de funcionários? Por que há falta de manutenção nos brinquedos? Ganância? A busca descontrolada pelo dinheiro? Tem que ver isso aí hein?

De uma coisa eu sei. Meus filhos não irão a parques. E quando eles vierem me pedir, falarei: ano que vem vamos à Disney, mesmo que nunca forem.

 

* Escrito em 24/02/2012