Dia de Verão em São Paulo

Dia comum, eu saio de casa nem frio nem calor, não levo blusa nem guarda-chuva. Chegando do escritório, o vento a 17° do ar condicionado me refresca em mais um dia de verão em São Paulo. 1h da tarde, hora do almoço, desço o elevador e o vento congelante me faz pensar em Starbucks, com café quente desta vez, mas logo caio na realidade e lembro que lá não aceita Ticket Refeição. Ainda com muito frio, melhor entrar no restaurante mais próximo (e barato) que aparecer. Depois de comer, voltando ao serviço com muita pressa, é possível observar paulistanos vestidos de diversas formas: Terninhos e Paletós, jaquetões e cachecóis, camisetas e tomaras-que-caia.

Ao entardecer, uma forte chuva cai lá fora, já ouço os trovões do lado de dentro do prédio, ainda preciso comprar um biquíni, para quem sabe usá-lo (em pelo menos um) dia de sol nesse verão em que a chuva predominou quase todos os dias. Atravessar a cidade em um dia de chuva não é fácil, então vou a pé mesmo (lembre-se sem guarda-chuva). A chuva vai molhando e humilhando ao mesmo tempo, ela seria boa, refrescante, talvez estimulante (se eu estivesse acompanhada, é claro), se não fosse um tanto quanto humilhante. Conforme eu ando, e passo em frente “O melhor bolo de chocolate do mundo” completamente ensopada, as pessoas me encaram, me fazendo sentir (mais) molhada e imunda. Os carros não deixam de dar a sua colaboração me jogando mais água, e fazendo aumentar a minha vontade de sumir.

Nesta hora já desisti do biquíni, de andar, de viver. Já peguei ônibus errado, já desci e já gastei o dinheiro que havia recebido, e já estou parada a mais de 4 horas voltando (tentando voltar) pra casa.

Esta é uma história comum, de uma mera paulistana. E as notícias como: Chuva atingiu a capital ontem provocando 44 pontos de alagamento, derrubou árvores e deixou semáforos apagados, já são frequentes em nossos dias de verão. Vamos para a praia em Julho?

*Um pouco de realidade, um pouco de ficção. Texto de 2009.

2011

Em conversas com amigos, percebi que o ano de 2011 foi ruim para a maioria das pessoas. E eu, me incluía neste grupo. Foi aí que parei para pensar: o que fiz neste ano?

O ano começou bem. Passei a virada como eu gosto, na praia, com amigos e com meu amor.

Comecei a trabalhar para valer na agência. Criei, errei, acertei e aprendi mais aqui do que nos anos de faculdade e em livros. Minha experiência sem dúvida foi que nem Ferrari, de 0 a 100 em segundos.

Li muito, muito mesmo. Me viciei. Estou lendo 1, com mais 4 para ler e quero comprar mais 3.

Na agência, conheci pessoas maravilhosas, e cada uma que ia embora, parecia que saía um pedaço de mim. Mas aprendi a ficar feliz com a felicidade deles e a chance que eles terão de crescer longe daqui.

Sofri com minhas dores. O pescoço aponta a cada tristeza. A perna, quando ela quer.

Fiz tratamentos estéticos: depilação a lazer, peeling de cristal, manthus e carboxiterapia. O último, não indico nem para o meu pior inimigo, se eu tivesse um.

O meu time fui obrigada a esquecê-lo. Decepção atrás de decepção me fez fazer o que nunca tinha feito antes: deixar de assistir quase todos os jogos do campeonato.

Amei intensamente. E assim, passei mais um ano ao lado dele. Sem entender o porquê de muitas coisas, mas juntos sempre. Afinal, mesmo com tantas diferenças, não conseguimos viver um sem o outro.

Comi muito.  Muito Mc Donald’s, muito sushi, muito doce. Comi Crêpe Francês, e não era tudo aquilo. Comi comida de hospital e de avião. E percebi que elas não eram tão ruins como todo mundo falava.

Fiz Boxe, Pilates, Spinnig, Musculação. Mas não consegui me empolgar tanto na academia quanto eu gostaria.

Neste ano, realizei um dos meus maiores sonhos junto ao meu maior medo. Andei de avião. O medo eu não perdi, a tensão foi a mesma na ida e na volta. As dores no corpo só passaram quando pus o pé no aeroporto na volta. Sempre tive certeza que eu morreria quando andasse de avião. Ainda bem que eu estava enganada.

Outro sonho realizado foi que aprendi a dirigir. Passei diversos perrengues na auto-escola, CFC, mas no fim deu tudo certo, tirei minha carta. Só falta o carro.

Também realizei minha primeira operação, que esperei há tantos anos. A temida cirurgia de varizes. Dormi no hospital pela primeira vez. Tomei a minha primeira anestesia e senti as primeiras dores do pós-cirurgico. Voltei a trabalhar em 15 dias com medo de perder meu emprego, já que a agência entrou em crise e enxugaram metade dos funcionários.

Com isso, senti a primeira decepção de perder um cliente. E a primeira decepção de ter que cumprir uma função que não era minha. Mas, tudo pelo bem da agência e pelo bem do meu emprego. Desanimei, chorei, faltei, mas estou aqui. Minha carreira depende disso e meus sonhos também.

Por conta disso, tive medo que meus planos para 2012 não fossem alcançados e será praticamente impossível. Mas quem falou que seria fácil?

Posso até dizer que 2011 não foi dos melhores e nem dos piores também. Mas que 2012 seja muito melhor.

Olá, mundo!

Resolvi manter o título do WordPress. Amei. É daqui pro mundo, com exclamação e tudo!  Este ano terá muitas novidades.

Em MEMÓRIAS DE UMA JOVEM PUBLICITÁRIA começo finalmente incluir meus textos. Um pouquinho (bem) atrasado, minha primeira “memória” é sobre o ano de 2011.

Publicarei também textos antigos, de alguns anos atrás, mas sempre com memórias. Afinal, minha nostalgia jamais acaba, e minha vida é feita de memórias. Talvez essa seja uma forma de me motivar todos os dias. Talvez não, é.

Hoje pra mim é passado e futuro. E nada mais.